Mediação cultural com os parceiros de Cambury: o rio que muda…

Caros Amigos e Amigas do Quilombo Cambury!!!
A obra está disponível para DOWNLOAD na Biblioteca Digital da USP:
Estação memória Cambury: mediação cultural com os parceiros do rio que muda
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde-19112013-161748/pt-br.php

RESUMO: estudo exploratório sobre o processo de mediação e apropriação cultural de informação em um contexto social, marcado historicamente pela expropriação cultural – Cambury – uma comunidade rural formada por pescadores e quilombolas que vivem na Mata Atlântica. A análise de campo e as reflexões teóricas se debruçaram sobre o papel do mediador e dos dispositivos informacionais, tendo como referência metodológica a pedagogia dialógica das Oficinas de Memória, espaço privilegiado para experimentação de saberes, trocas culturais e simbólicas. Como resultado, formulamos categorias significativas de análise do mediador cultural, cujo amálgama de saberes (informacionais; procedimentais e atitudinais) julgamos indispensável aos processos de significação em territórios simbólicos diferenciados. Como produto de conhecimento no campo da pesquisa social aplicada, criamos o dispositivo infoeducativo – Estação Memória Cambury – conjugado à interface de comunicação digital; e desenvolvemos referenciais teóricos e metodológicos que podem contribuir em futuras práticas infoeducativas que favoreçam a produção, circulação e apropriação social de saberes com os sujeitos do saber, confrontando-os com a questão do sentido da vida, do mundo e de si mesmos.

Protagonistas de Cambury, 2011-2013.

                       Protagonistas de Cambury, 2011-2013.

SANTOS, Edison Luís dos. Estação memória Cambury: mediação cultural com os parceiros do rio que muda. São Paulo: ECA, USP, 2013. 101p.

Forte abraço do Edison, o violeiro!

Incra e Palmares tem 90 dias para resolver o caso Cambury

A Justiça tenta resolver um conflito antigo entre posseiros e mais de 40 famílias quilombolas, em Cambury, Ubatuba.

A Constituinte cidadã de 1988 garante o direito à terra aos moradores que vivem em uma área remanescente de quilombos, há mais de 200 anos.

Mesmo se tratando de uma área transformada em Parque de uso público, o mais difícil de entender é: como podem os grileiros que se dizem “donos do local” tentar a reintegração de posse, de algo que não lhes pertence?

Após impasses e mal-entendidos entre as instâncias federal e estadual, o Incra se esforça para manter os moradores no local.

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VEJA O VÍDEO SOBRE A MATÉRIA:

http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/link-vanguarda/videos/t/edicoes/v/justica-tenta-resolver-conflito-entre-posseiros-e-familias-em-ubatuba-sp/2710103/

Segundo informe de Pedro Canário, em Consultor Jurídico, publicado em Racismo Ambiental:

A Justiça Federal de São Paulo concedeu liminar para transferir ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a posse de um terreno em Ubatuba ocupado por uma comunidade remanescente de quilombolas. A decisão, da 1ª Vara Federal de Caraguatatuba, dá ao Incra e à Fundação Cultural Palmares (FCP) a posse provisória do terreno, pelo prazo de 90 dias, quando a questão deve ser reapreciada. A decisão é da sexta-feira (19/7).

O caso foi levado à Justiça Federal pelo Incra e pela FCP, representados pela Advocacia-Geral da União, por meio de Ação Civil Pública. A intenção das autarquias federais é tornar sem efeito sentença em uma ação de reintegração de posse que deu a um particular a titularidade sobre o terreno de cerca de mil hectares no litoral norte de São Paulo.

A decisão de reintegração de posse é da Justiça estadual, da 1ª Vara Cível de Ubatuba. A decisão foi dada em 1982, em face de um particular tido como líder da comunidade quilombola que hoje está no terreno. Como a disputa, nos anos 1980, se deu entre dois particulares, a União não foi citada e nem apareceu em qualquer dos polos.

O Incra entrou na questão em 2008, depois que o particular João Bento de Carvalho decidiu fazer a cumprir a sentença, que havia transitado em julgado em 1984. A intenção da autarquia é proteger os interesses da comunidade de 40 famílias que está naquela área há quase cem anos e lá já instalou escolas, clubes, áreas de convivência etc.

A intenção ao ajuizar a Ação Civil Pública, portanto, é tornar sem efeito a declaração de posse da terra ao particular: se a terra é ocupada por uma comunidade remanescente de quilombo, a posse deve ficar com ela. Na prática, o que o Incra pediu foi que a posse seja passada ao particular e logo depois transferida ao Incra, que a repassará à comunidade.

A liminar da sexta-feira afirma que “a fumaça do bom Direito” está ao lado do Incra: “Trata-se de comunidade remanescente de quilombo que ocupa a área há décadas e tem posse superveniente coletiva de índole constitucional, devidamente reconhecida”. A decisão argumenta que a Constituição Federal de 1988 deu às comunidades remanescentes de quilombo a posse de todas as terras que ocupavam quando da promulgação do texto constitucional.

Fonte: http://www.scoop.it/t/comunidades-remanescentes-de-quilombos

CARTA DE REIVINDICAÇÕES: DIREITO À SAÚDE NO CAMBURY

JOVEM QUILOMBOLA MORRE DE MENINGITE – “NÃO HÁ VACINAS” EM UBATUBA!

CARTA DE REIVINDICAÇÕES A ALESP

Viemos por meio desta Carta comunicar o óbito da adolescente quilombola, Luciana Cruz dos Santos, 14 anos, no quilombo do Cambury, no dia 21 de janeiro de 2013. Ela faleceu de meningite bacteriana por falta de atendimento especializado. Na ocasião, representantes da Secretaria de Saúde de Ubatuba estiveram no quilombo e alegaram que “não há vacinas para toda a comunidade”. Que os preços da vacina eram “muito altos”, caracterizando o desconhecimento do direito humano à SAÚDE E À VIDA.

Exigimos providências e soluções urgentes para sanar a precariedade do Serviço Público de Saúde do município de Ubatuba; os quilombolas e caicaras do bairro do Cambury exigem que se cumpram os direitos da Constituição; que haja imediata contratação de médicos, que exerçam PLANTÃO MÉDICO DIÁRIO, e não ocasional (atualmente, vem uma vez por mês) no postinho de Saúde do bairro do Cambury, nas especialidades Pediatria, Geriatria, Gincologia, Clínica Geral e Vacinas.

Oportunamente, registre-se o fato para que tomem ciência: o modesto cemitério do Cambury, onde será sepultada a jovem falecida, foi construído pelas mãos do ancião Sr. Genésio dos Santos, mas este local sagrado para os moradores foi tomado por Camping particular, Agroindustrial Ipê, que construiu enorme lixeira, não reciclável, ao lado do local cercado à visitação, o que é um deliberado assinte à memória dos antepassados quilombola e caiçara.

Convidamos todos aqueles que têm solidariedade e lamentam a morte da jovem artista Luciana Cruz a divulgarem nossas reivindicações na internet, ou enviando e-mails para os deputados da Assembleia Legislativa de SP: Seguem os endereços eletrônicos, de domínio público (só copiar e colar):

spedro@al.sp.gov.br, rfelicio@al.sp.gov.br, salmeida@al.sp.gov.br, tiaopt@uol.com.br, sberaldo@al.sp.gov.br, tiaozinho@al.sp.gov.br, adilsonbarroso@al.sp.gov.br, adiogo@al.sp.gov.br, deputadoafanasio@al.sp.gov.br, padreafonso@al.sp.gov.br, turcoloco@al.sp.gov.br, ademarchi@al.sp.gov.br, anadocarmopt@al.sp.gov.br, amartins@al.sp.gov.br, afernandes@al.sp.gov.br, amentor@al.sp.gov.br, scuriati@al.sp.gov.br, ajardim@al.sp.gov.br, aapinto@al.sp.gov.br, baleiarossi@al.sp.gov.br, bsahao@al.sp.gov.br, cmachado@al.sp.gov.br, cvaccarezza@al.sp.gov.br, carlosneder@al.sp.gov.br, cleao@al.sp.gov.br, ccardoso@al.sp.gov.br, clopes@al.sp.gov.br, coronelubiratan@al.sp.gov.br, dpbraga@al.sp.gov.br, echedid@al.sp.gov.br, eaparecido@al.sp.gov.br, eferrarini@al.sp.gov.br, egomes@al.sp.gov.br, ecorrea@al.sp.gov.br, eniotatto@al.sp.gov.br, ffigueira@al.sp.gov.br, bispoge@al.sp.gov.br, geraldolopes@al.sp.gov.br, geraldovinholi@hotmail.com, gibamarson@al.sp.gov.br, deputado@gilsondesouza.com.br, hpereira@al.sp.gov.br, havanir@al.sp.gov.br, italopt@uol.com.br, jcaramez@al.sp.gov.br, jdonizette@al.sp.gov.br, jcaruso@al.sp.gov.br, jbittencourt@al.sp.gov.br, jccrespo@al.sp.gov.br, jcstangarlini@al.sp.gov.br, jdilson@al.sp.gov.br, gabinete@josezico.com.br, lcgondim@al.sp.gov.br, mbueno@al.sp.gov.br, madantas@al.sp.gov.br, mlamary@al.sp.gov.br, mlprandi@al.sp.gov.br, mreali@al.sp.gov.br, mtortorello@al.sp.gov.br, mbragato@al.sp.gov.br, mmenuchi@al.sp.gov.br, gabmiltonflavio@al.sp.gov.br, mvieira@al.sp.gov.br, gabinete@nivaldosantana.com.br, omorando@al.sp.gov.br, pthomeu@al.sp.gov.br, psergio@al.sp.gov.br, ptobias@al.sp.gov.br, rsilva@al.sp.gov.br, rsimoes@al.sp.gov.br, rcastilho@al.sp.gov.br, rtripoli@al.sp.gov.br, ralves@al.sp.gov.br, rengler@al.sp.gov.br, rfelicio@al.sp.gov.br, rmorais@al.sp.gov.br, rcsilva@al.sp.gov.br, rgarcia@al.sp.gov.br, rnogueira@al.sp.gov.br, rtuma@al.sp.gov.br, rbarbiere@al.sp.gov.br, delrose@al.sp.gov.br, saidmourad@al.sp.gov.br, salmeida@al.sp.gov.br, tiaopt@uol.com.br, sberaldo@al.sp.gov.br, spedro@al.sp.gov.br, ssantos@al.sp.gov.br, tiaozinho@al.sp.gov.br, vlopes@al.sp.gov.br, vsiraque@al.sp.gov.br, vlima@al.sp.gov.br, vcandido@al.sp.gov.br, vcamarinha@al.sp.gov.br, vsapienza@al.sp.gov.br, wsalustiano@al.sp.gov.br, wagnello@al.sp.gov.br, zmassih@al.sp.gov.br

Criança quilombola morre de meningite em Cambury!

Não há vacinas para as pessoas que mantiveram contato. Só a mãe é vacinada!

O médico vem ao postinho uma vez por mês.

Os moradores do Cambury estão orfãos de Luciana, por descaso e omissão do poder público!!!

Cambury exige PROVIDÊNCIAS

https://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/2013/01/22/miseria-da-saude-publica-em-ubatuba-cambury-esta-de-luto/

DIVULGUEM NAS REDES SOCIAIS – “CARTA DE REIVINDICAÇÕES A ALESP

https://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/2013/01/26/carta-de-reivindicacoes-a-assembleia-legislativa-sp/

http://www.facebook.com/clinicadotexto/posts/277856212340909

Ação cultural no Quilombo de Cambury – 15 a 20 novembro

Está chegando a hora de comemorarmos a SEMANA CONSCIÊNCIA NEGRA!!!

Imagem

Saiba como chegar: km.1 rodovia 101, divisa SP-RJ

 

15 nov (quinta-feira) ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

10h – APRESENTAÇÃO

Início Oficina

DESENHO BÁSICO

MOSTRA GRAVURAS

DJANIRA/PINACOTECA

14h – NARRATIVA

Jogo do conto

Memória oral/escrita

17h Saberes locais (vídeos)

Canoa Caiçara *, 2009, col., 25 m.

Casa da Farinha, 1970, col., 13 m.

Pesquisar Infoteca digitalEMC

18h – Bate papo – Conversa

 

16 nov (sexta-feira) ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

10h – XILOGRAVURA

TÉCNICA ENTALHE

14h – CORDEL

LEITURA

PESQUISA (biblioteca/internet)

Filme Mostra –Tarde/Noite

CAFUNDÓ *, BRA, 2006, col., 101 m.

Bate papo – Conversa

17 nov (sábado) |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

MATINÊ – Filme Mostra

14h – Kiriku e a feiticeira*, 1998, col., 71m.

Bate papo – Conversa

 

19h – ENCONTRO MUSICAL

Cantos Afro e Caiçara (audições)

 

Filme Mostra –Tarde/Noite

BESOURO *, BRA, 2009, col., 94 m.

Bate papo – Conversa

18 nov (domingo) |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

10h – XILOGRAVURA

TÉCNICA ENTALHE

14h – XILOGRAVURA

TÉCNICA IMPRESSÃO

 

16h – EXPERIMENTAÇÃO MUSICAL

Memória Auditiva

Filme Mostra – Tarde/Noite

CHICO REI *, BRA, 1986, col., 115 m.

Bate papo – Conversa

19 nov (segunda-feira)||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

9h

OFICINA DE RESTAURO E CRIAÇÃO DE INSTRUMENTOS MUSICAIS

Ensaios / secagem de impressões

Filme Mostra – Tarde  

Atabaque de nzinga*, BRA, 2007, 87 min.

Ori*, BRA, 1989, 53 min.

Bate papo – Conversa

 

20 nov – Dia Nacional da Consciência Negra ||||||||||||||||||||||||

9 às 18hs

EXPOSIÇÃO

FOTOGRAFIA DESENHO, XILOGRAVURA

MOSTRA DE CURTAS – CINEPIPOCA**

Construtores – Zumbi

Dos grilhões ao quilombo

Retrato em preto e branco

LANCHE COLETIVO – FESTA

RODA

DANÇA

CIRANDA

Circo Aries Marioto

CAPOEIRA

O CONVITE ESTÁ ABERTO A TODOS QUE DESEJAM PARTICIPAR.

(?) Horários a confirmar no local.

Poderá haver remanejamento dos filmes e horários.

(*) Idade recomendada: Acima dos 12 anos.

(**) Censura livre.

 

Inscrições para as Oficinas podem ser feitas no local.

Todas as Atividades Culturais são GRATUITAS e abertas aos participantes!

 

Divulgue: as Oficinas de Memória: Arte, Cultura e Informação http://wp.me/p22aTC-8V 

Oficinas de Memória: Arte, Cultura e Informação

Está chegando a hora de comemorarmos a SEMANA CONSCIÊNCIA NEGRA!!!

 Participe e convide os seus amigos!!!

PROGRAMAÇÃO

Oficinas de Memória: Arte, Cultura e Informação

15 a 20 de Novembro 2012

Escolinha Jambeiro, Cambury, Ubatuba, SP

escolinhajambeiro@gmail.com

15 nov (quinta-feira) ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

10h – APRESENTAÇÃO

Início Oficina

DESENHO BÁSICO

MOSTRA GRAVURAS

DJANIRA/PINACOTECA

14h – NARRATIVA

Jogo do conto

Memória oral/escrita

17h Saberes locais (vídeos)

Canoa Caiçara *, 2009, col., 25 m.

Casa da Farinha, 1970, col., 13 m.

Pesquisar Infoteca digitalEMC

18h – Bate papo – Conversa

 

16 nov (sexta-feira) ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

10h – XILOGRAVURA

TÉCNICA ENTALHE

14h – CORDEL

LEITURA

PESQUISA (biblioteca/internet)

Filme Mostra –Tarde/Noite

CAFUNDÓ *, BRA, 2006, col., 101 m.

Bate papo – Conversa

17 nov (sábado) |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

MATINÊ – Filme Mostra

14h – Kiriku e a feiticeira*, 1998, col., 71m.

Bate papo – Conversa

 

19hENCONTRO MUSICAL

Cantos Afro e Caiçara (audições)

 

Filme Mostra –Tarde/Noite

BESOURO *, BRA, 2009, col., 94 m.

Bate papo – Conversa

18 nov (domingo) |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

10h – XILOGRAVURA

TÉCNICA ENTALHE

14h – XILOGRAVURA

TÉCNICA IMPRESSÃO

 

16h – EXPERIMENTAÇÃO MUSICAL

Memória Auditiva

Filme Mostra – Tarde/Noite

CHICO REI *, BRA, 1986, col., 115 m.

Bate papo – Conversa

19 nov (segunda-feira)||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

9h

OFICINA DE RESTAURO E CRIAÇÃO DE INSTRUMENTOS MUSICAIS

Ensaios / secagem de impressões

Filme Mostra – Tarde  

Atabaque de nzinga*, BRA, 2007, 87 min.

Ori*, BRA, 1989, 53 min.

Bate papo – Conversa

 

20 nov – Dia Nacional da Consciência Negra ||||||||||||||||||||||||

9 às 18hs

EXPOSIÇÃO

FOTOGRAFIA DESENHO, XILOGRAVURA

MOSTRA DE CURTAS – CINEPIPOCA**

Construtores – Zumbi

Dos grilhões ao quilombo

Retrato em preto e branco

LANCHE COLETIVO – FESTA

RODA

DANÇA

CIRANDA

Circo Aries Marioto

CAPOEIRA

O CONVITE ESTÁ ABERTO A TODOS QUE DESEJAM PARTICIPAR.

(?) Horários a confirmar no local.

Poderá haver remanejamento dos filmes e horários.

(*) Idade recomendada: Acima dos 12 anos.

(**) Censura livre.

 

Inscrições para as Oficinas podem ser feitas no local.

Todas as Atividades Culturais são GRATUITAS e abertas aos participantes!

Divulgue no seu Twitter – Oficinas de Memória: Arte, Cultura e Informação http://wp.me/p22aTC-8V 

No princípio era a Toca da Josefa…

Conforme explica-nos Sr. Genésio dos Santos, 85 anos, líder comunitário e quilombola de Camburi, há cerca de uns 200 anos, o cativeiro torturava e judiava muito dos negros, com a força do látego e o ferro quente. Quando um negro fugitivo era capturado, faziam-no subir, nu em pelo, uma árvore bem alta e depois atiravam de cima para baixo, sem dó, mas com farra e gargalhadas, até que o corpo se estatelasse no chão. Josefa era uma negra escrava de uma das fazendas da vizinha Paraty, bonita e valente, mas não pôde suportar a escravidão! Corajosa, fugiu com outros negros, que vieram refugiar-se em Ubatuba no bairro do Camburi, três morros depois da Cachoeira da Escada, a 550 metros de altitude. Morou até o fim de sua vida em uma toca. Esta negra bonita, segundo contam seus descendentes, era a única do grupo que descia de tempos em tempos à praia para pegar mariscos, peixes e outros alimentos, destacando-se assim como líder do grupo e dando origem aos primeiros descendentes quilombolas da região norte do município.

“O meu nome é Genésio dos Santos. Nascido e criado aqui no bairro do Camburi. Permaneço aqui. Agora, a data do nascimento… Eu hoje tô com oitenta anos [em 2007]; eu sou de vinte e cinco de março. Então, faz as contas pra ver se tá certo. Oitenta, né? É; nós aqui; esta pessoa que está falando com o senhor, Genésio dos Santos, nascido e criado aqui no Camburi, a minha descendência é de Inácio Basílio dos Santos. Isso enquanto ele permaneceu aqui no Camburi, né? Ele veio fugido, né? Do tempo da escravatura que laçava pessoa, pegava pessoa de qualquer jeito, judiava. Principalmente a cor negra, a parte negra como eu sou, né? Então, esse povo, no passado, era muito judiado. Demais, né? Era muito maltratado. Eles contavam que eles faziam assubir nas árvores, né? Davam tiros para ver as pessoas caírem, né? Achavam que aquilo era bonito. Então, nessa época, esse Inácio Basílio dos Santos… eles vieram para cá. Agora permanece a descendência, o povo do Camburi, o caiçara daqui do Camburi, essas duas famílias. Disso eu tenho a certeza: da família Inácio Basílio dos Santos e dona Vera Cristina. Então, toda a descendência hoje que mora aqui no Camburi é dessas duas descendência. Não é de mais ninguém! Vera Cristina e Inácio Basílio dos Santos, que é a minha descendência. Agora… essa dona Cristina… eu acompanhei o enterro dela. Eu era criança, moleque. Eu acompanhei o enterro dela pro Ubatumirim. Aqui não tinha cemitério ainda. Lá no Ubatumirim… cento e quinze anos. Cento e quinze anos: a idade em que foi sepultada. Agora, além dela também, aqui era o esconderijo da dona Josefa. Essa dona Josefa morava no coração do Camburi, no centro da mata da serra do Camburi. E essa toca da dona Josefa permanece até hoje. É lá em cima, no centro do Camburi. Dá cinco horas de viagem pro senhor ir lá em cima caminhando, na toca da dona Josefa, e voltar aqui na praia do Camburi. Fica bem no coração do Camburi, no centro da praia, mas só que é na serra.

Quilombola Uelinton, abrindo caminho na Mata Atlântica. Para alcançar o topo da serra, elevado a 550 metros do nível do mar, é preciso muita disposição, mas a vista da Toca da Josefa é maravilhosa, aqui onde tudo teria começado…

Então, essa dona Josefa, a convivência dela era nas matas. Todo o tempo da vida, enquanto ela viveu aqui, era nas matas. Essa dona Josefa saiu dessa toca… Essa toca hoje é bem zelada, é bem caprichada; o pessoal vai lá. Eu tenho recebido aqui, agora poucos dias, agora, tá fazendo um mês, um mês e pouco, teve aqui uns estudantes que foram na toca, conveniente ao pessoal do quilombo aqui. A Andréia, a professora Andréia, acompanhou. Até as minhas netas acompanhou pra ir na toca da Josefa. Então, essa toca é hoje bem zelada, bem caprichada. Dela enxerga parte do mar, do Camburi todo. Agora, parece que não enxerga a Ponta da Trindade por causa das árvores que encobriu. A Mata Atlântica encobriu”. […]

Em 2008, foi organizada uma caminhada até a Toca da Josefa, com a participação de monitores guias, treinados especialmente para este tipo de trilha. Agendamentos: escolinhajambeiro@gmail.com.

“Então, essa dona Josefa, ela convivia nas matas todo o tempo de vida. O que era ganha-pão dela? Como era a convivência dela, o viver lá? Então, ela cortava o terreno, o lombo do morro; fazia-se um chiqueiro com um alçapão. E depois daquela armadilha, de assubir e descer, ela fazia uns toques, fazia uns pregos de jiçara ou do pati bem devez, bem aguçado, bem feitinho. Chegava lá no centro da terra, nesse chiqueiro, enterrava, plantava; ali fazia ponta toda agulhada, toda pra cima. Quando esse animal pesado, como onça, como queixada, vinha, pisava naquela armadilha, descia por ali abaixo, batia lá embaixo e ele mesmo se sangrava naqueles picos, naqueles pregos de pati, da jiçara, do coco de brejaúva, da madeira do coco da brejaúva. Aquilo é muito forte! Se sangrava, né? Então, o que fazia ela? Então ela fazia dois, três, quatro… Ainda tem o cenário. O grupo que esteve agora lá falou pra mim que tem os sinais do corte, da terra, de tudo o que ela fazia. Então, ela pegava esse animal, alimpava lá nas mata. Alimpava e cortava todo e trazia aqui, pra povoação do Camburi na época, levava para a Trindade, levava na Vila da Picinguaba. Então o que fazia ela? Ela dava essas carnes do bicho do mato (do queixada, da onça) e aí, o que fazia ela? Ela pegava o arroz, o feijão. Naquele tempo era a banha, não era o óleo. Era a banha. Pegava a banha para tempero, farinha da mandioca… levava tudo para a toca. Então a convivência dela era isso assim. Só que ela não saía em cidades. Em cidade ela não saía. Ela não saía em cidade por causa dos jagunços, os malfeitores que estavam à caça, procurando. Eles procuravam, indagavam, perguntavam se não tinha fulano, sicrano. Então, nessa época, como aqui – Camburi – não tinha estrada de carro, nem animal de carga passava. Então eles ficram todos escondidos aqui… e o tempo foi passando, como a dona Cristina, o tempo foi passando, e aqui arrumaram família, como eu mesmo conheci e dou o nome delas. Aqui, filhas da dona Cristina: Francisca, Januária, Aintinha, Luiza, dona Virgília… Conheci cinco! Cinco filhas dela; todas casadas aqui no Camburi. Naquele tempo, o casamento, o senhor sabe, o casamento todo era no religioso – o casamento do padre. A não ser isso, era amasiado. Outros falavam amigado, amasiado, né? Então viviam cem anos, muitas vezes, né? Viviam aqueles amasiados, tinham os filhos, as filhas… Então, por muita vez, tinha muito que até nem era reconhecido no cartório. Depois, na vinda dos filhos, depois, é que era reconhecido para registrar o filho. Então era assim! Então o senhor vê que essa foi uma descendência aqui do Camburi, dessa época, que veio todos dos escravos. Agora, essa família hoje, é como o caso da minha família, né? Aí a família hoje virou uma ‘salada de frutas’. Por que muitas vezes eu falo isso? Porque hoje, eu, dentro da minha família, eu tenho sobrinha primeira, sobrinha segunda, sobrinha terceira loira, de olhos verdes, assim como os senhores, né? Outros castanhos, outros azuis, né? Porque a minha família hoje virou uma ‘salada de frutas’? Porque eu arrecebi aqui quatro moços de fora, quatro moços que não era do lugar, vieram de outro lugar, daqui do Estado de São Paulo. E aqui até vou citar os nomes deles; aqui, neste momento: Manoel Firmino Soares, Carmo Firmino Soares, Donato Firmino Soares, Antonio Firmino Soares. Quatro irmãos casaram com quatro prima-irmãs minha; tudo escuras. E eram brancos! Há muitos anos passados, há mais de setenta e poucos anos casaram. E aí o que acontece?”

Fonte: José Ronaldo, editor do blog http://www.coisasdecaicara.blogspot.com.

O uso sustentável da terra por comunidades tradicionais é a solução de preservação para áreas de risco ambiental

O uso sustentável da terra por comunidades tradicionais tem sido apontado tanto pelo governo como por especialistas como solução de preservação para áreas de risco ambiental. No caso do Cerrado, a bandeira é defendida inclusive pelas universidades e por pesquisadores americanos que acompanham a trajetória do bioma que ocupa mais de 2 milhões de km² do território nacional.

Apesar de liderar a concentração de biodiversidade do planeta e ser apontado como ”berço das águas” por abrigar nascentes das principais bacias hidrográficas do país, o bioma Cerrado é o menos contemplado pelas políticas públicas, é o que tem menos regras com relação à ocupação e é um dos mais ameaçados no país, principalmente, pelo agronegócio e por investimentos em infraestrutura.

Pedro Ramos, que se intitula caboclo e extrativista vegetal na Amazônia, denuncia que a expulsão de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas tem ocorrido em todos os biomas. ”Temos um modelo de desenvolvimento perverso contra a gente. Estamos assistindo povos tradicionais serem expulsos dos seus pedaços de terra em nome de desenvolvimento de produção agrícola e de energia limpa”, disse, ao relatar o caso dos índios em Roraima.

Ele integra a Comissão Nacional das Populações Indígenas e alerta para a falta de uma regulamentação fundiária. Segundo ele, a territorialidade desses povos ”está em jogo porque não há lei fundiária para regularizar as áreas”.

A combinação desse cenário com a atratividade que o Cerrado representa para o agronegócio é apontada por especialistas nos mapas de monitoramento do desmatamento no Brasil. O bioma que abrange o Distrito Federal, Rondônia e parte de Roraima, Amapá, Amazonas e Pará, perdeu quase metade da cobertura vegetal, segundo especialistas.

Para o pesquisador americano e professor da Universidade de Brasília, ligado também à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Donald Sawyer, ”a alternativa seria a de paisagens produtivas sustentáveis em pelo menos 500 mil km², a metade do que ainda existe, e o acesso das comunidades tradicionais aos recursos a partir de uso sustentável”.

Durante o primeiro painel de debates do 7º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, que está sendo realizado em Brasília até o próximo dia 16, Sawyer afirmou que as ”paisagens com gente” contribuiriam para manter os ciclos hidrológicos da região e manter a infiltração da água da chuva no solo. Segundo ele, isto permitiria amenizar, inclusive a baixa umidade que vem afetando a região.

Ainda segundo Sawyer, que também integra a equipe de pesquisadores da organização não governamental Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), as populações locais não devem buscar a ”derrota” do agronegócio, mas conciliar as atividades de uma forma que garanta a sustentabilidade da região e reforce a importância do bioma nacionalmente e internacionalmente. ”O mundo ainda não sabe o que é Cerrado e qual o seu valor. Nós que teremos que tomar a iniciativa porque não vai ter uma interferência externa para a defesa deste bioma como o que aconteceu na Amazônia. Outros biomas continuam chamando a atenção do público e os recursos do Cerrado continuam em posição secundária”, avaliou.

No final do dia, uma comissão formada por cerca de dez integrantes da Rede Cerrado, organizadora dos debates sobre a situação e as demandas para a conservação do bioma, vai ser reunir com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. De acordo com os organizadores do evento, no encontro, os representantes da Rede vão relacionar as principais medidas que precisam ser adotadas para garantir a preservação da região em médio e longo prazo.

O encontro acontece depois da Corrida de Toras e do Grito do Cerrado (manifestações marcadas para ocorrer na Esplanada dos Ministérios), e da audiência pública que reunirá mais de 400 participantes do evento com senadores e deputados federais no Congresso Nacional.

Fonte: Agência Brasil.