Futebol intercultural na praia do Cambury – Memória

Com prazer, registramos a memória de uma partida de futebol memorável: o torneio regional de futebol intercultural foi organizado por Sr. Badeco, caiçara sanfoneiro, sociabilidade e cotidiano na Praia do Cambury, Abril de 2012.

Título: Futebol intercultural na praia do Cambury | Ficha técnica: BRASIL, 2012, colorido., 12m59s.
Resumo: este vídeo contém o registro audiovisual de uma Partida de futebol especial, realizada em 22 de abril de 2012 no campinho oficial de Cambury, à beira da praia. O torneio entre equipes reuniu vários times do litoral norte, formados por caiçaras, quilombolas e indígenas. Além de momento importante na sociabilidade e trocas de informações entre os diversos grupos sociais, o evento foi organizado por Sr. Badeco, homem simples do Cambury, tocador de sanfona, que também treina o time feminino local.
Ao final das partidas, os participantes se reuniram no Bar do Isaías e Donato, de frente para o campo, para molhar o bico e conversar com os amigos.
Tags: Futebol, Educação, Cultura, Arte, Quilombo, Indios, Brasil, Cambury
Link para a VIDEOTECA DO CAMBURY NO Vimeo: https://vimeo.com/72148259
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In memoriam – Sr. Miguel da Cruz

Hoje faz 90 dias que faleceu o Sr. Miguel da Cruz. Dedicamos este post à lembrança deste velho caiçara, contador de histórias e grande anfitrião que morava na praia de Cambury.

Sr. Miguel da Cruz, como era conhecido em Cambury, tinha mais de 80 anos e estava convalescente desde 2008, sofrendo muito com as complicações de um câncer de próstata e fortes dores no joelho e tornozelo, que o impediam de caminhar, nos últimos anos de sua vida. Faleceu no hospital de Taubaté no dia 8 de maio de 2012 e foi sepultado no cemitério de Paraty. Portanto, a triste notícia ocorreu 15 dias após a 5ª Visita que realizamos ao quilombo de Cambury (6 a 23 de abril).

 

Sr. Miguel da Cruz tinha mais de oitenta anos e faleceu no dia 8 de maio de 2012.

Sr. Miguel da Cruz faz parte de uma das últimas famílias a chegarem em Cambury, na década de 1980, juntamente com a família de João Querino. Era o esposo de Dona Maria Lorena, pai de Simão, Rosa, Rute, Monga entre outros filhos, além de um grande número de netos e netas. Veio de Paraty para morar em Cambury na condição de caseiro da família de José Bento.

Tal fato criou uma situação quase constrangedora frente aos moradores tradicionais, pois a maioria deles sofreu com ameaças, intimidações e tantos outros moradores foram expropriados de suas terras, a mando de Francisco Munhoz e José Bento de Carvalho, dois grandes “expropriadores” de terras na região de Ubatuba.

O quilombo permaneceu relativamente isolado até a década de 1970 quando uma série de acontecimentos ameaçou sua permanência em suas terras e trouxe mudanças para seu modo de vida. A comunidade foi alvo de diversos processos de grilagem e compras ilegais de posse, derivados da especulação imobiliária. No início da década de 1970, 80% do território do Quilombo do Cambury estava sob o domínio e posse de dois grandes compradores de terra, Francisco Munhoz e José Bento de Carvalho, que expulsaram os antigos moradores. Estes se deslocaram para as áreas mais íngremes, de mais difícil acesso, ou se mudaram para outras cidades, tais como Taubaté, Paraty e Santos.

Fica a saudosa lembrança do amigo violeiro, que jamais se esquecerá do dia em que Sr. Miguel da Cruz saciou-lhe a fome e ofereceu pousada em sua casa, na década de 1990.

Miguel da Cruz e o Violeiro, na praia de Cambury, Julho de 2009.