Caiçara e biblioteca viva do Cambury, Tia Alcina faleceu ontem!

Ontem, dia 09 de janeiro, às 8 horas da manhã, a querida Tia Alcina descansou, depois de uma longa vida desfrutada quase sempre com os mínimos vitais. Ao lado do Sr. Genésio dos Santos (que ainda está vivo), Tia Alcina era uma das Caiçaras mais idosas do Camburi. Durante muitos anos viveu numa casinha simples e era querida por todo mundo. Conforme já dizem “sempre brilhará nos corações e na memória da população caiçara e indígena do litoral norte! Sim. Porque ela era bastante conhecida entre os índios da região e uma das poucas mulheres a falar tupi!

Uma das mulheres mais sábias do Cambury das Pedras Ubatuba SP. A anciã era uma biblioteca viva, de histórias e memórias, sobre os acontecimentos da praia e do sertão do Cambury. No dia 04 de março de 2017 ela completaria 95 anos.

O Enterro estava previsto para às 10hs no Cemitério de Cambury

O velório aconteceu hoje dia 10 de janeiro no centro comunitário.

 

Assista ao vídeo em homenagem à Tia Alcina, que deixa muitas saudades.

 

Memórias do Cambury – Quilombolas e caiçaras
https://www.youtube.com/embed/WEZ2Al3dLkM

 

Cambury: sem terra e sem peixe, na unha do Estado!

Publicamos excelente documentário produzido pelo Via legal no Cambury. Em pouco mais de 5 (cinco) minutos, descreve o impasse ambiental e a disputa pela posse da área que há muitos anos são o pesadelo dos moradores caiçaras e quilombolas do bairro do Cambury, localizado no Km. 1 da BR 101, divisa de Ubatuba com Paraty, litoral norte de São Paulo. Mostra o cotidiano da roça e do artesanato produzido na comunidade para gerar renda, já que NÃO TEM PEIXE, NEM TERRA PARA PLANTAR.

Os quilombolas vivem há mais de 200 anos no local, desde o tempo da “Toca da Josefa”, escrava que fugiu da escravidão e se escondeu no coração do sertão do Cambury. A briga para conseguir o título da terra começou há mais de uma década e envolve muitos outros aspectos, tais como grilagem, ocupação por moradores de fora, expropriação política, trabalho precarizado, subemprego, falta de saneamento…

OMISSÃO DO ESTADO EMPERRA A VIDA NO CAMBURY

A matéria do Via Legal ouviu a comunidade para esclarecer à sociedade as violações de direitos que emperra a vida desses moradores: saúde, educação, terra, trabalho e alimentação digna.

Convite: defesa dissertação – Estação Memória Cambury

Prezados amigos e amigas da Estação Memória Cambury!

Com prazer e alegria, publicamos este CONVITE, para que todos venham participar e assistir à Defesa Dissertação de Mestrado, cujo título é o seguinte:

Estação Memória Cambury: mediação cultural com os parceiros do rio que muda

 

Autor: EDISON LUÍS DOS SANTOS

Orientadora: Profa. Dra. IVETE PIERUCCINI

Nível: MESTRADO

 

DATA: 30 de setembro de 2013 – segunda-feira, 10:00 h.

LOCAL:

Escola de Comunicações e ArtesECA USP

Sala Egon Schaden, 1º andar,  Prédio Central

Mapa http://www3.eca.usp.br/localizacao

Conto com a presença de todos vocês, pois esta obra não é uma canoa de um só pau. Resultou do trabalho colaborativo, dos diálogos e trocas simbólicas compartilhadas ao longo de dois anos com os protagonistas (caiçaras e quilombolas) do Cambury.

Desde já, agradecemos a todos pelo esforço coletivo, apoio e amizade!!!

“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. (Fernando Pessoa)

Beijos! E muita saúde a todos!

EDISON SANTOS – https://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/

Vídeo “Quilindo Quilombo”, de Davy Alexandrisky, na videoteca do Cambury

BIBLIOTECA DO QUILOMBO CAMBURY – http://tecnicabiblioteconomia.wordpress.com/

Sobre os quilombolas e o seu passado de luta. Assistam ao

Vídeo “Quilindo Quilombo”, de Davy Alexandrisky.

viaVídeo “Quilindo Quilombo”, de Davy Alexandrisky.

Produtos das Oficinas de Memória: Xilogravuras, Desenhos e Matrizes

APROPRIAÇÃO CULTURAL: ARTE, MEMÓRIA & INFORMAÇÃO

Os produtos culturais do Cambury são criações que expressam ideias, valores, atitudes e criatividade artística e que falam de memória e informação sobre o presente, o passado e o futuro, de origem popular (xilogravura como artesanato), os quais não tem a finalidade de abastecer o mercado de consumo, mas expressar os frutos da APROPRIAÇÃO SOCIAL DE SABERES, cujo valor simbólico e imaterial extrapolam os limites locais.

VISITE TAMBÉM A BIBLIOTECA DIGITAL DO CAMBURY: http://tecnicabiblioteconomia.wordpress.com/arte-xilogravura/

Passados presentes: memória viva africana

Histórias contadas por gerações, desde o século XIX, lembram aventuras de escravos que fugiram do tronco, maldades dos donos de fazendas e criam até alguns fantasmas. Essa memória está muito viva hoje nos remanescentes de quilombos no estado do Rio de Janeiro, onde também se mantêm tradições de origem africana, como o jogo do pau e o jongo.

Em 2011, com a conclusão do documentário “Passados Presentes, memória negra no sul fluminense”, o LABHOI (Laboratório de História Oral e Imagem da UFF) fecha um ciclo de filmes de pesquisa sobre a trajetória, a memória e o patrimônio cultural dos descendentes dos últimos escravos da antiga província do Rio de Janeiro.

A produção começou em 2005 com a realização de “Memórias do Cativeiro”. Essa primeira experiência fílmica abriu novos caminhos de comunicação, de linguagem e de pesquisa e despertou nas professoras Hebe Mattos e Martha Abreu o interesse em expandir e aprofundar acervo e a escrita historiográfica audiovisual do LABHOI (www.labhoi.uff.br).

Cada filme produziu e trabalhou o acervo a partir de um recorte de pesquisa específico, circulando por personagens, lugares, danças, desafios e expressões comuns. Juntos, os diferentes pontos de vista sobre a história dos descendentes dos últimos escravos da antiga província do Rio de Janeiro se somam, permitindo uma visão mais ampla e complexa de cada um dos temas trabalhados.

A coletânea LABHOI da UFF, intitulada Passados presentes, reúne os seguintes filmes:

Para adquirir a coletânea acesse o site da Editora da UFF: www.editora.uff.br

Fonte: http://www.labhoi.uff.br/passadospresentes/

Declaração Internacional dos Direitos à Memória da Terra

O texto abaixo foi elaborado a 13 de junho de 1991 em Digne-Les-Bains, França, durante o Primeiro Simpósio Internacional sobre a Proteção do Patrimônio Geológico:

1 – Assim como cada vida humana é considerada única, não é chegado o tempo de reconhecer também a condição única da Terra?

2 – A Terra, nossa Mãe, é base e suporte de nossas vidas. Somos todos ligados à Terra. A Terra é o elo de união entre todos nós.

3 – A Terra, com quatro bilhões de anos e meio de idade, é o berço da Vida, da renovação e das metamorfoses de todos seres vivos. Seu longo processo de evolução, seu lento amadurecimento, deu forma ao ambiente no qual vivemos.

4 – Nossa história e a história da Terra estão intimamente entrelaçadas. As origens de uma são as origens de outra. A história da Terra é nossa história, o futuro da Terra será nosso futuro.

5 – A face da Terra, a sua feição, são o ambiente do Homem. O ambiente de hoje é diferente do ambiente de ontem e será diferente também no futuro. O Homem não é senão um dos momentos da Terra. Não é uma finalidade, é uma condição efêmera e transitória.

6 – Da mesma forma como uma velha árvore registra em seu tronco a memória de seu crescimento e de sua vida, assim também a Terra guarda a memória do seu passado… Uma memória gravada em níveis profundos ou superficiais. Nas rochas, nos fósseis e nas paisagens, a Terra preserva uma memória passível de ser lida e decifrada.

7 – Atualmente, o Homem sabe proteger sua memória: seu patrimônio cultural. O ser humano sempre se preocupou com a preservação da memória, do patrimônio cultural. Apenas agora começou a proteger seu patrimônio natural, o ambiente imediato. É chegado o tempo de aprender a proteger o passado da Terra e, por meio dessa proteção, aprender a conhecê-lo. Essa memória antecede a memória humana. É um novo patrimônio: o patrimônio geológico, um livro escrito muito antes de nosso aparecimento sobre o Planeta.

8 – O Homem e a Terra compartilham uma mesma herança, um patrimônio comum. Cada ser humano e cada governo não são senão meros usufrutuários e depositários desse patrimônio. Todos os seres humanos devem compreender que a menor depredação do patrimônio geológico é uma mutilação que conduz a sua destruição, a uma perda irremediável. Todas as formas do desenvolvimento devem respeitar e levar em conta o valor e a singularidade desse patrimônio.

9 – Os participantes do 1° Simpósio Internacional sobre a Proteção do Patrimônio Geológico, composto por mais de uma centena de especialistas de trinta diferentes nações, solicitam com urgência a todas as autoridades nacionais e internacionais que levem em consideração a proteção do patrimônio geológico, por meio de todas as necessárias medidas legais, financeiras e organizacionais.

A tradução é de Carlos Fernando de Moura Delphim.

Fonte: http://portal.iphan.gov.br