Cambury mais triste: nota de falecimento

Não faz muito tempo, faleceu o grande amigo caiçara Zé Roberto do Cambury, deixando a comunidade mais triste. Ontem, o Cambury perdeu uma de suas matriarcas, mulher guerreira, caiçara, esposa do falecido Sr. Miguel da Cruz e mãe da Rosa Laureana, Monca, Dica, Simão Branco, além de netos e netas. Dona Maria Laureana faleceu ontem (15/02/2016) e deixou muita saudade, muitas histórias, piadas e brincadeiras que só ela sabia contar. DESCANSE EM PAZ.

Abraço forte do amigo Violeiro a todos os familiares e amigos.

In memoriam – Sr. Miguel da Cruz

Hoje faz 90 dias que faleceu o Sr. Miguel da Cruz. Dedicamos este post à lembrança deste velho caiçara, contador de histórias e grande anfitrião que morava na praia de Cambury.

Sr. Miguel da Cruz, como era conhecido em Cambury, tinha mais de 80 anos e estava convalescente desde 2008, sofrendo muito com as complicações de um câncer de próstata e fortes dores no joelho e tornozelo, que o impediam de caminhar, nos últimos anos de sua vida. Faleceu no hospital de Taubaté no dia 8 de maio de 2012 e foi sepultado no cemitério de Paraty. Portanto, a triste notícia ocorreu 15 dias após a 5ª Visita que realizamos ao quilombo de Cambury (6 a 23 de abril).

 

Sr. Miguel da Cruz tinha mais de oitenta anos e faleceu no dia 8 de maio de 2012.

Sr. Miguel da Cruz faz parte de uma das últimas famílias a chegarem em Cambury, na década de 1980, juntamente com a família de João Querino. Era o esposo de Dona Maria Lorena, pai de Simão, Rosa, Rute, Monga entre outros filhos, além de um grande número de netos e netas. Veio de Paraty para morar em Cambury na condição de caseiro da família de José Bento.

Tal fato criou uma situação quase constrangedora frente aos moradores tradicionais, pois a maioria deles sofreu com ameaças, intimidações e tantos outros moradores foram expropriados de suas terras, a mando de Francisco Munhoz e José Bento de Carvalho, dois grandes “expropriadores” de terras na região de Ubatuba.

O quilombo permaneceu relativamente isolado até a década de 1970 quando uma série de acontecimentos ameaçou sua permanência em suas terras e trouxe mudanças para seu modo de vida. A comunidade foi alvo de diversos processos de grilagem e compras ilegais de posse, derivados da especulação imobiliária. No início da década de 1970, 80% do território do Quilombo do Cambury estava sob o domínio e posse de dois grandes compradores de terra, Francisco Munhoz e José Bento de Carvalho, que expulsaram os antigos moradores. Estes se deslocaram para as áreas mais íngremes, de mais difícil acesso, ou se mudaram para outras cidades, tais como Taubaté, Paraty e Santos.

Fica a saudosa lembrança do amigo violeiro, que jamais se esquecerá do dia em que Sr. Miguel da Cruz saciou-lhe a fome e ofereceu pousada em sua casa, na década de 1990.

Miguel da Cruz e o Violeiro, na praia de Cambury, Julho de 2009.

Aprendendo a pescar nos oceanos da informação: a construção dos saberes

O conceito de dispositivo refere-se a um agenciamento de elementos tendo em vista uma finalidade, ou seja, atenta não só para aspectos da gramática dos artefatos, como para sua finalidade, demandando, nesse aspecto, um qualificador. De acordo com o professor Edmir Perrotti, “ser constituído e organizado para conservar, é diferente de ser constituído e organizado para difundir, que, por sua vez, é diferente de ser constituído e organizado para ser apropriado”.

A Estação Memória Cambury se caracteriza como agenciamento de elementos concretos e abstratos, pautados por critérios gerais de ordenação que visam processos de apropriação simbólica e de protagonismo cultural. A finalidade do dispositivo é infoeducar, uma vez que, no mundo contemporâneo, todos nós necessitamos estar permanentemente aprendendo a nos informar, seja nas escolas, nos ambientes de trabalho ou domésticos, nas bibliotecas ou outras instituições culturais e estas precisam, por sua vez, refazerem-se em função de tais demandas.
Diferentemente de outras estações culturais, a Estação Memória Cambury não disponibiliza apenas informações, mas visa à apropriação. Não pretende oferece apenas o peixe, mas, ao oferecê-lo, ensinar sistematicamente a buscar significados nos oceanos dispersivos do universo da informação. Constitui-se como um metadispositivo de aprendizagem informacional indispensável aos processos de apropriação simbólica.