Mediação cultural com os parceiros de Cambury: o rio que muda…

Caros Amigos e Amigas do Quilombo Cambury!!!
A obra está disponível para DOWNLOAD na Biblioteca Digital da USP:

Estação memória Cambury: mediação cultural com os parceiros do rio que muda

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde-19112013-161748/pt-br.php

RESUMO: estudo exploratório sobre o processo de mediação e apropriação cultural de informação em um contexto social, marcado historicamente pela expropriação cultural – Cambury – uma comunidade rural formada por pescadores e quilombolas que vivem na Mata Atlântica. A análise de campo e as reflexões teóricas se debruçaram sobre o papel do mediador e dos dispositivos informacionais, tendo como referência metodológica a pedagogia dialógica das Oficinas de Memória, espaço privilegiado para experimentação de saberes, trocas culturais e simbólicas. Como resultado, formulamos categorias significativas de análise do mediador cultural, cujo amálgama de saberes (informacionais; procedimentais e atitudinais) julgamos indispensável aos processos de significação em territórios simbólicos diferenciados. Como produto de conhecimento no campo da pesquisa social aplicada, criamos o dispositivo infoeducativo – Estação Memória Cambury – conjugado à interface de comunicação digital; e desenvolvemos referenciais teóricos e metodológicos que podem contribuir em futuras práticas infoeducativas que favoreçam a produção, circulação e apropriação social de saberes com os sujeitos do saber, confrontando-os com a questão do sentido da vida, do mundo e de si mesmos.

Protagonistas de Cambury, 2011-2013.

Protagonistas de Cambury, 2011-2013.

SANTOS, Edison Luís dos. Estação memória Cambury: mediação cultural com os parceiros do rio que muda.

São Paulo: ECA, USP, 2013. 101p.

Forte abraço do Edison, o violeiro!

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Ação Cultural: começou a Oficina de Fotografia Pinhole

Ontem, dia 8 de Julho, teve início a Oficina de Fotografia Pinhole, no Quilombo do Cambury, e vai durar até o final de semana.

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.412848572164760.1073741875.279706808812271&type=1

 

O que é o Projeto?

Desde 2004, o projeto Click na Lata e Cia atende crianças e jovens da periferia de São Paulo, ensinando-lhes a arte da Fotografia. No começo acontecia na Vila Maria Alta, Centro Social Leão XIII, sob o nome de Projeto Olho Mágico. Depois, consolidou-se em 2007, na SAMOSI – Sociedade Amigos dos Moradores de Vila Santa Inês, sendo contemplado/subsidiado com os prêmios Criando Asas – Instituto Asas/Red Bull e Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias (2007/2008), Programa VAI – Valorização às Iniciativas Culturais – Prefeitura de São Paulo (2008/2009), Prêmio Cultura Viva – Ponto de Cultura (2009-2012) e Prêmio Laureate – Universidade Anhembi-Morumbi/Laureate Foundation (2012).

 

Passados 9 anos de projeto, o Click na Lata e Cia… atendeu mais de 1000 pessoas, principalmente crianças e jovens, além de adultos, também curiosos. Realizou mais de 15 exposições e pelo menos 10 workshops, realizados em lugares variados como a Fundação Casa, Casas de Cultura, ONGs e Diversos eventos coletivos e colaborativos. A ideia do projeto, além de propiciar o primeiro contato com a arte da fotografia pinhole (câmera escura), é ampliar a visão de mundo das pessoas, fazendo-as perceber o seu mundo e seu entorno de maneira diferente. Incentivamos no aluno a descoberta e questionamos o seu olhar, por meio das oficinas.

 

A oficina é um encontro lúdico, onde os alunos confeccionam primeiro uma Caixa Ótica (caixa de luz), e em seguida reciclam uma lata, transformando-a numa câmera fotográfica de orifício (câmera escura). Num laboratório improvisado, os próprios alunos “carregam” e depois de um passeio fotográfico pela comunidade, revelam , lavam e estendem num varal coletivo, suas fotos. A oficina é realizada com “pinceladas” nas aulas que se aliam e alinham a qualquer componente curricular como Língua Portuguesa, História, Geografia, Matemática, Química, Física, entre outros. Ao final, é realizada uma exposição aberta aos pais, amigos e comunidade.

 

Click na Lata e Cia… é portanto o “carro-chefe” do Coletivo Mundo em Foco, formado em 2004, por jovens engajados com questões sociais que envolvem a comunidade. O grupo trabalha diretamente com diversas tecnologias e temas como: tv, vídeo, cinema, internet, fotografia, artes plásticas, meio ambiente, teatro, literatura, entre outros.

 

De onde surgiu a ideia de uma Oficina no Quilombo?

 

De um amigo, fotógrafo e apoiador do projeto, o fotógrafo Márcio Ramos, antigo morador de Ubatuba, que visitou a comunidade por muitas vezes ainda sem energia elétrica. Ele sempre teve o desejo de realizar uma oficina de fotografia, mas os novos trabalhos e desafios o impediram de retornar. O Márcio, quando nos conheceu em 2009, logo sugeriu de realizar uma oficina lá. A vontade sempre foi grande e acreditamos que dessa vez, conseguiremos. Impulsionados pelo Hub Fellowship – Jovens Empreendedores Sociais, nós do Mundo em Foco, resolvemos topar o desafio de levantar uma grana e realizar um sonho que vem atravessando os anos.

 

A oficina visa registrar a comunidade do Quilombo do Cambury, ajudando na documentação histórica do local, retratando seus costumes, suas crenças, memórias, saberes, artes, geografia e seu povo. Buscamos um intercâmbio cultural, onde a troca de saberes se fará presente e necessária. É nesse intuito de escuta, olhar o próximo, sentir suas necessidades e expor seus sentimentos por meio da arte que queremos estar presentes na localidade.

A oficina começou ontem, dia 8 e vai durar a semana toda!!!

LINKS PARA ENTENDER MELHOR:

 

Começou a Oficina de Fotografia Pinhole na sede da Associação quilombola do Cambury. No detalhe, Catarina e os jovens da comunidade. Julho 2013.

 

 

 

Aprendendo a pescar nos oceanos da informação: a construção dos saberes

O conceito de dispositivo refere-se a um agenciamento de elementos tendo em vista uma finalidade, ou seja, atenta não só para aspectos da gramática dos artefatos, como para sua finalidade, demandando, nesse aspecto, um qualificador. De acordo com o professor Edmir Perrotti, “ser constituído e organizado para conservar, é diferente de ser constituído e organizado para difundir, que, por sua vez, é diferente de ser constituído e organizado para ser apropriado”.

A Estação Memória Cambury se caracteriza como agenciamento de elementos concretos e abstratos, pautados por critérios gerais de ordenação que visam processos de apropriação simbólica e de protagonismo cultural. A finalidade do dispositivo é infoeducar, uma vez que, no mundo contemporâneo, todos nós necessitamos estar permanentemente aprendendo a nos informar, seja nas escolas, nos ambientes de trabalho ou domésticos, nas bibliotecas ou outras instituições culturais e estas precisam, por sua vez, refazerem-se em função de tais demandas.
Diferentemente de outras estações culturais, a Estação Memória Cambury não disponibiliza apenas informações, mas visa à apropriação. Não pretende oferece apenas o peixe, mas, ao oferecê-lo, ensinar sistematicamente a buscar significados nos oceanos dispersivos do universo da informação. Constitui-se como um metadispositivo de aprendizagem informacional indispensável aos processos de apropriação simbólica.