Miguel da Cruz

In memoriam – Sr. Miguel da Cruz

No dia 08 de Maio de 2012 faleceu o Sr. Miguel da Cruz.

Dedicamos este post à lembrança deste velho caiçara, contador de histórias e grande anfitrião que morava na praia de Cambury.

Sr. Miguel da Cruz, como era conhecido em Cambury, tinha mais de 80 anos e estava convalescente desde 2008, sofrendo muito com as complicações de um câncer de próstata e fortes dores no joelho e tornozelo, que o impediam de caminhar, nos últimos anos de sua vida. Faleceu no hospital de Taubaté no dia 8 de maio de 2012 e foi sepultado no cemitério de Paraty. Portanto, a triste notícia ocorreu 15 dias após a 5ª Visita que realizamos ao quilombo de Cambury (6 a 23 de abril).

Sr. Miguel da Cruz tinha mais de oitenta anos e faleceu no dia 8 de maio de 2012.

Sr. Miguel da Cruz tinha mais de oitenta anos e faleceu no dia 8 de maio de 2012.

 

Sr. Miguel da Cruz faz parte de uma das últimas famílias a chegarem em Cambury, na década de 1980, juntamente com a família de João Querino. Era o esposo de Dona Maria Lorena, pai de Simão, Rosa, Rute, Monga entre outros filhos, além de um grande número de netos e netas. Veio de Paraty para morar em Cambury na condição de caseiro da família de José Bento. Mas foi em seu barzinho que fez grandes amigos vindos de toda parte do Brasil. Quem fazia a comida gostosa no fogão à lenha era a Dona Maria, mulher batalhadora e sofrida com a vida.

Moradora Caiçara do Cambury, foto tirada em dezembro de 2009.

DONA MARIA LORENA: Moradora Caiçara do Cambury, mãe do Simão, Rosa, Rute, Monga e outros. Foto tirada em dezembro de 2009.

Há que se lamentar que os patrões do Sr. Miguel expulsaram com represálias moradores nativos do Cambury. Tal fato criou uma situação quase constrangedora ao Sr. Miguel, frente aos moradores tradicionais, pois a maioria deles sofreu com diversas ameaças, intimidações e tantos outros moradores também foram expropriados de suas terras, a mando de Francisco Munhoz e José Bento de Carvalho, dois grandes “expropriadores” de terras na região de Ubatuba, que respondem a processos na Justiça.

O quilombo do Cambury permaneceu relativamente isolado até a década de 1970 quando uma série de acontecimentos ameaçou sua permanência em suas terras e trouxe mudanças para seu modo de vida. A comunidade foi alvo de diversos processos de grilagem e compras ilegais de posse, derivados da especulação imobiliária. No início da década de 1970, 80% do território do Quilombo do Cambury estava sob o domínio e posse de dois grandes compradores de terra, Francisco Munhoz e José Bento de Carvalho, que expulsaram os antigos moradores. Estes se deslocaram para as áreas mais íngremes, de mais difícil acesso, no setor Jambeiro e no Sertão, ou então se mudaram para outras cidades, tais como Taubaté, Paraty e Santos.

Fica a saudosa lembrança do amigo Violeiro, que jamais se esquecerá do dia em que Sr. Miguel da Cruz saciou-lhe a fome quando não tinha o que comer e ofereceu-lhe pousada em sua casa, no início da década de 1990.

NÃO VAMOS DEIXAR A CANOA VIRAR!

 

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