CASA DA FARINHA, documentário sobre raízes e memória quilombola

O vídeo CASA DA FARINHA foi exibido na TV Cultura em 18/04/2009, no programa Campus Documentário produzido como disciplina do curso de Rádio e TV da Univap Narra a luta de uma comunidade remanescente de quilombolas em busca de seu reconhecimento e do resgate de suas raízes, memórias e práticas socioculturais.

Direção e Roteiro: Paulo Aragão

Assistente de direção e Roteiro: Luciana Bertolini

Edição: Rodrigo Augusto

Narração: Thales Alves

Duração: 24 minutos.

VEJA OUTROS VÍDEOS NA SEÇÃO – MÍDIAS

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Vídeo “Quilindo Quilombo”, de Davy Alexandrisky, na videoteca do Cambury

BIBLIOTECA DO QUILOMBO CAMBURY – http://tecnicabiblioteconomia.wordpress.com/

Sobre os quilombolas e o seu passado de luta. Assistam ao

Vídeo “Quilindo Quilombo”, de Davy Alexandrisky.

viaVídeo “Quilindo Quilombo”, de Davy Alexandrisky.

Inauguração da Videoteca Educativa

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viaInauguração da Videoteca Educativa.

ESPAÇO DE COMPARTILHAMENTO DE AUDIOVISUAIS E ANIMAÇÕES COM FINS EDUCACIONAIS, um trabalho voluntário da técnica de biblioteconomia, Patrícia Cristina, realizado no QUILOMBO DO CAMBURY, ESCOLINHA JAMBEIRO.

Terra deu Terra come

TERRA DEU TERRA COME

Direção: Rodrigo Siqueira, col., tempo de duração = 1:29:32.

Pedro de Almeida, garimpeiro de 81 anos de idade, comanda como mestre de cerimônias o velório, o cortejo fúnebre e o enterro de João Batista, que morreu com 120 anos. O ritual sucede-se no quilombo Quartel do Indaiá, distrito de Diamantina, Minas Gerais. Com uma canequinha esmaltada, ele joga as últimas gotas de cachaça sobre o cadáver já assentado na cova: “O que você queria taí! Nós não bebeu ela não, a sua taí. Vai e não volta pra me atentar por causa disso não. Faz sua viagem em paz”.

Dessa maneira acaba o sepultamento de João Batista, após 17 horas de velório, choro, riso, farra, reza, silêncios, tristeza. No cortejo, muita cantoria com os versos dos vissungos, tradição herdada da áfrica. Descendente de escravos que trabalhavam na extração de diamantes, nas Minas Gerais do tempo do Brasil Império, Pedro é um dos últimos conhecedores dos vissungos, as cantigas em dialeto banguela, cantadas durante os rituais fúnebres da região, que eram muito comuns nos séculos 18 e 19.

Garimpeiro de muita sorte, Pedro já encontrou diamantes de tesouros enterrados pelos antigos escravos, na região de Diamantina. Mas, o primeiro diamante que encontrou, há 70 anos, o tio com quem trabalhava o enterrou e morreu sem dizer onde. Depois disso, vive sempre em uma sinuca: para reencontrar o diamante só se invocar a alma de seu tio João dos Santos. “É um diamante e tanto, você precisa ver que botão de mágoa.” Ao conduzir o funeral de João Batista, Pedro desfia histórias carregadas de poesia e significados metafísicos, que nos põem em dúvida o tempo inteiro: João Batista tinha pacto com o Diabo? O Diabo existe? Estamos sozinhos, ou as almas também estão entre nós? Como Deus inventou a Morte?

A atuação de Pedro e seus familiares frente à câmera nos provoca pela sua dramaturgia espontânea, uma auto-mise-en-scène instigante. No filme, não se sabe o que é fato e o que é representação, o que é verdade e o que é um conto, documentário ou ficção, o que é cinema e o que é vida, o que é africano e o que é mineiro, brasileiro.

Entre 2010 e 2011 o filme conquistou os mais relevantes prêmios consagrados aos documentários no Brasil. Também recebeu o reconhecimento dos mais importantes críticos de cinema do país.

TERRA DEU TERRA COME venceu o prêmio International Young Talent Competition – Generation DOK – no 53º DOK LEIPZIG, Alemanha, um dos mais tradicionais e importantes festivais de documentários da Europa. Eis as palavras do júri do festival:

“O filme vencedor levou os juízes a um mundo completamente desconhecido (e evidentemente quase esquecido). Seu personagem central — um indivíduo admirável e mesmerizante — é o tipo de pessoa que provavelmente só aparece uma vez na vida de um documentarista. O registro de sua ligação com um mundo de rituais e mitos, à beira do desaparecimento, é a um tempo fascinante e de relevância histórica. O filme claramente se beneficiou do acesso exclusivo (do diretor ao personagem), ganho ao longo de um período de tempo extenso e trabalhado com grande senso artístico. O filme expõe um mundo sobre o qual nada conhecíamos, e o faz de uma maneira encantadora, prazerosa e, por vezes, emotiva, que certamente descortina um novo território e abre as portas para uma verdadeira experiência de documentário.”

 

TERRA DEU TERRA COME é um filme cheio de encantos e encantamentos. Pedro de Alexina, 81 anos, comanda como mestre de cerimônias o funeral de João Batista, morto aos 120 anos. Documentário, memória e ficção se misturam para tecer uma história fantástica que retrata um canto metafísico do sertão mineiro. É preciso ver para crer !!!

http://youtu.be/HP4lxu404vg