Cambury: sem terra e sem peixe, na unha do Estado!

Publicamos excelente documentário produzido pelo Via legal no Cambury. Em pouco mais de 5 (cinco) minutos, descreve o impasse ambiental e a disputa pela posse da área que há muitos anos são o pesadelo dos moradores caiçaras e quilombolas do bairro do Cambury, localizado no Km. 1 da BR 101, divisa de Ubatuba com Paraty, litoral norte de São Paulo. Mostra o cotidiano da roça e do artesanato produzido na comunidade para gerar renda, já que NÃO TEM PEIXE, NEM TERRA PARA PLANTAR.

Os quilombolas vivem há mais de 200 anos no local, desde o tempo da “Toca da Josefa”, escrava que fugiu da escravidão e se escondeu no coração do sertão do Cambury. A briga para conseguir o título da terra começou há mais de uma década e envolve muitos outros aspectos, tais como grilagem, ocupação por moradores de fora, expropriação política, trabalho precarizado, subemprego, falta de saneamento…

OMISSÃO DO ESTADO EMPERRA A VIDA NO CAMBURY

A matéria do Via Legal ouviu a comunidade para esclarecer à sociedade as violações de direitos que emperra a vida desses moradores: saúde, educação, terra, trabalho e alimentação digna.

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Produtos das Oficinas de Memória: Xilogravuras, Desenhos e Matrizes

APROPRIAÇÃO CULTURAL: ARTE, MEMÓRIA & INFORMAÇÃO

Os produtos culturais do Cambury são criações que expressam ideias, valores, atitudes e criatividade artística e que falam de memória e informação sobre o presente, o passado e o futuro, de origem popular (xilogravura como artesanato), os quais não tem a finalidade de abastecer o mercado de consumo, mas expressar os frutos da APROPRIAÇÃO SOCIAL DE SABERES, cujo valor simbólico e imaterial extrapolam os limites locais.

VISITE TAMBÉM A BIBLIOTECA DIGITAL DO CAMBURY: http://tecnicabiblioteconomia.wordpress.com/arte-xilogravura/

No princípio era a Toca da Josefa…

Conforme explica-nos Sr. Genésio dos Santos, 85 anos, líder comunitário e quilombola de Camburi, há cerca de uns 200 anos, o cativeiro torturava e judiava muito dos negros, com a força do látego e o ferro quente. Quando um negro fugitivo era capturado, faziam-no subir, nu em pelo, uma árvore bem alta e depois atiravam de cima para baixo, sem dó, mas com farra e gargalhadas, até que o corpo se estatelasse no chão. Josefa era uma negra escrava de uma das fazendas da vizinha Paraty, bonita e valente, mas não pôde suportar a escravidão! Corajosa, fugiu com outros negros, que vieram refugiar-se em Ubatuba no bairro do Camburi, três morros depois da Cachoeira da Escada, a 550 metros de altitude. Morou até o fim de sua vida em uma toca. Esta negra bonita, segundo contam seus descendentes, era a única do grupo que descia de tempos em tempos à praia para pegar mariscos, peixes e outros alimentos, destacando-se assim como líder do grupo e dando origem aos primeiros descendentes quilombolas da região norte do município.

“O meu nome é Genésio dos Santos. Nascido e criado aqui no bairro do Camburi. Permaneço aqui. Agora, a data do nascimento… Eu hoje tô com oitenta anos [em 2007]; eu sou de vinte e cinco de março. Então, faz as contas pra ver se tá certo. Oitenta, né? É; nós aqui; esta pessoa que está falando com o senhor, Genésio dos Santos, nascido e criado aqui no Camburi, a minha descendência é de Inácio Basílio dos Santos. Isso enquanto ele permaneceu aqui no Camburi, né? Ele veio fugido, né? Do tempo da escravatura que laçava pessoa, pegava pessoa de qualquer jeito, judiava. Principalmente a cor negra, a parte negra como eu sou, né? Então, esse povo, no passado, era muito judiado. Demais, né? Era muito maltratado. Eles contavam que eles faziam assubir nas árvores, né? Davam tiros para ver as pessoas caírem, né? Achavam que aquilo era bonito. Então, nessa época, esse Inácio Basílio dos Santos… eles vieram para cá. Agora permanece a descendência, o povo do Camburi, o caiçara daqui do Camburi, essas duas famílias. Disso eu tenho a certeza: da família Inácio Basílio dos Santos e dona Vera Cristina. Então, toda a descendência hoje que mora aqui no Camburi é dessas duas descendência. Não é de mais ninguém! Vera Cristina e Inácio Basílio dos Santos, que é a minha descendência. Agora… essa dona Cristina… eu acompanhei o enterro dela. Eu era criança, moleque. Eu acompanhei o enterro dela pro Ubatumirim. Aqui não tinha cemitério ainda. Lá no Ubatumirim… cento e quinze anos. Cento e quinze anos: a idade em que foi sepultada. Agora, além dela também, aqui era o esconderijo da dona Josefa. Essa dona Josefa morava no coração do Camburi, no centro da mata da serra do Camburi. E essa toca da dona Josefa permanece até hoje. É lá em cima, no centro do Camburi. Dá cinco horas de viagem pro senhor ir lá em cima caminhando, na toca da dona Josefa, e voltar aqui na praia do Camburi. Fica bem no coração do Camburi, no centro da praia, mas só que é na serra.

Quilombola Uelinton, abrindo caminho na Mata Atlântica. Para alcançar o topo da serra, elevado a 550 metros do nível do mar, é preciso muita disposição, mas a vista da Toca da Josefa é maravilhosa, aqui onde tudo teria começado…

Então, essa dona Josefa, a convivência dela era nas matas. Todo o tempo da vida, enquanto ela viveu aqui, era nas matas. Essa dona Josefa saiu dessa toca… Essa toca hoje é bem zelada, é bem caprichada; o pessoal vai lá. Eu tenho recebido aqui, agora poucos dias, agora, tá fazendo um mês, um mês e pouco, teve aqui uns estudantes que foram na toca, conveniente ao pessoal do quilombo aqui. A Andréia, a professora Andréia, acompanhou. Até as minhas netas acompanhou pra ir na toca da Josefa. Então, essa toca é hoje bem zelada, bem caprichada. Dela enxerga parte do mar, do Camburi todo. Agora, parece que não enxerga a Ponta da Trindade por causa das árvores que encobriu. A Mata Atlântica encobriu”. […]

Em 2008, foi organizada uma caminhada até a Toca da Josefa, com a participação de monitores guias, treinados especialmente para este tipo de trilha. Agendamentos: escolinhajambeiro@gmail.com.

“Então, essa dona Josefa, ela convivia nas matas todo o tempo de vida. O que era ganha-pão dela? Como era a convivência dela, o viver lá? Então, ela cortava o terreno, o lombo do morro; fazia-se um chiqueiro com um alçapão. E depois daquela armadilha, de assubir e descer, ela fazia uns toques, fazia uns pregos de jiçara ou do pati bem devez, bem aguçado, bem feitinho. Chegava lá no centro da terra, nesse chiqueiro, enterrava, plantava; ali fazia ponta toda agulhada, toda pra cima. Quando esse animal pesado, como onça, como queixada, vinha, pisava naquela armadilha, descia por ali abaixo, batia lá embaixo e ele mesmo se sangrava naqueles picos, naqueles pregos de pati, da jiçara, do coco de brejaúva, da madeira do coco da brejaúva. Aquilo é muito forte! Se sangrava, né? Então, o que fazia ela? Então ela fazia dois, três, quatro… Ainda tem o cenário. O grupo que esteve agora lá falou pra mim que tem os sinais do corte, da terra, de tudo o que ela fazia. Então, ela pegava esse animal, alimpava lá nas mata. Alimpava e cortava todo e trazia aqui, pra povoação do Camburi na época, levava para a Trindade, levava na Vila da Picinguaba. Então o que fazia ela? Ela dava essas carnes do bicho do mato (do queixada, da onça) e aí, o que fazia ela? Ela pegava o arroz, o feijão. Naquele tempo era a banha, não era o óleo. Era a banha. Pegava a banha para tempero, farinha da mandioca… levava tudo para a toca. Então a convivência dela era isso assim. Só que ela não saía em cidades. Em cidade ela não saía. Ela não saía em cidade por causa dos jagunços, os malfeitores que estavam à caça, procurando. Eles procuravam, indagavam, perguntavam se não tinha fulano, sicrano. Então, nessa época, como aqui – Camburi – não tinha estrada de carro, nem animal de carga passava. Então eles ficram todos escondidos aqui… e o tempo foi passando, como a dona Cristina, o tempo foi passando, e aqui arrumaram família, como eu mesmo conheci e dou o nome delas. Aqui, filhas da dona Cristina: Francisca, Januária, Aintinha, Luiza, dona Virgília… Conheci cinco! Cinco filhas dela; todas casadas aqui no Camburi. Naquele tempo, o casamento, o senhor sabe, o casamento todo era no religioso – o casamento do padre. A não ser isso, era amasiado. Outros falavam amigado, amasiado, né? Então viviam cem anos, muitas vezes, né? Viviam aqueles amasiados, tinham os filhos, as filhas… Então, por muita vez, tinha muito que até nem era reconhecido no cartório. Depois, na vinda dos filhos, depois, é que era reconhecido para registrar o filho. Então era assim! Então o senhor vê que essa foi uma descendência aqui do Camburi, dessa época, que veio todos dos escravos. Agora, essa família hoje, é como o caso da minha família, né? Aí a família hoje virou uma ‘salada de frutas’. Por que muitas vezes eu falo isso? Porque hoje, eu, dentro da minha família, eu tenho sobrinha primeira, sobrinha segunda, sobrinha terceira loira, de olhos verdes, assim como os senhores, né? Outros castanhos, outros azuis, né? Porque a minha família hoje virou uma ‘salada de frutas’? Porque eu arrecebi aqui quatro moços de fora, quatro moços que não era do lugar, vieram de outro lugar, daqui do Estado de São Paulo. E aqui até vou citar os nomes deles; aqui, neste momento: Manoel Firmino Soares, Carmo Firmino Soares, Donato Firmino Soares, Antonio Firmino Soares. Quatro irmãos casaram com quatro prima-irmãs minha; tudo escuras. E eram brancos! Há muitos anos passados, há mais de setenta e poucos anos casaram. E aí o que acontece?”

Fonte: José Ronaldo, editor do blog http://www.coisasdecaicara.blogspot.com.

Por que não construir PONTES em Cambury?

FAZ QUASE TRÊS ANOS QUE A COMUNIDADE RECLAMA DO PODER PÚBLICO A CONSTRUÇÃO DE PONTES NO QUILOMBO DE CAMBURY.

A presença de um engenheiro da prefeitura, com boa formação profissional, revelaria a necessidade reclamada pelos moradores da última praia de Ubatuba, no litoral norte do estado de São Paulo.

A Associação dos Moradores Caiçaras (AMBAÇA) e a Associação dos Quilombolas de Cambury, em UBATUBA, litoral norte, reclama desde 2009 para que providências sejam tomadas quanto a ACESSIBILIDADE de idosos e crianças.

http://clinicadotexto.wordpress.com/2012/07/31/passados-3-anos-comunidade-de-camburi-ainda-continua-sem-pontes/

1a. Jornada: “Oficinas de Memória, Informação e Escrita”

Programação

“Oficinas de Memória, Informação e Escrita”

11 a 15 de Julho 2012

Escolinha Jambeiro, Cambury, Ubatuba, SP

escolinhajambeiro@gmail.com

 

Atividades Pedagógicas

Dia

Horário

A) Apresentação da proposta pedagógica (objetivos, fins, etapas, desenho das oficinas etc.), com Valter Luz; *

B) Exposição de Memórias Digitais (telão, ppt, notebooks)

C) Memória e Experiência: Levantamento Fauna / Flora / Relatos orais idosos “madeira boa” – Busca temática

1ª. Oficina Desenho Básico: Fauna / Flora Cambury – 3hs

 

11 Julho

Qua

 

 

 

9-12hs

 

 

 

 

14-17hs

 

 2ª. Oficina Desenho Esboços + Xilogravura Parte I

 

Oficina Xilogravura Parte II – 3hs (técnicas e impressão)

 

12 Julho

Qui

 

9-12hs

 

14-17hs

 

 3ª. Oficina Poema narrativo I (Cordel) – Jogos narrativos; Diálogo memória local / memória universal (histórias, relatos)

 

 

13 Julho

Sex

 

 

9-12hs

 

 

14-17hs

 

 4ª. Oficina Xilogravura II – 3hs

 

– Produção textual escrita – transformar oralidade em escrita

– Poema narrativo II (Cordel/festas/ lugares/ )

 

 

14 Julho

Sáb

 

9-12hs

 

14-17hs

 

 Exposição e Leitura:

 

– Apresentação dos produtos das Oficinas

– Avaliação da semana, depoimentos e relatos pessoais.

Apresentação de sugestão de cronograma de atividades 2º Sem 2012: WordPress / capoeira/ instrumentos musicais.-

 

15 Julho

Dom

 

 

 

Aberta

julho

9 – 17hs

 

 

 Confraternização – viola caipira e batucada

 

SÁBADO

 

 

 

TODA AJUDA E COLABORAÇÃO SERÃO BEM-VINDAS.

MAIS INFORMAÇÕES: estacaomemoriacamburi@gmail.com

Edison Pesquisador – edisonlz@usp.br

Valter Luz, Educador  – vjsouza63@hotmail.com

Patrícia Cristina, Técnica Biblioteconomia – paticrisbela@yahoo.com.br

Festival da Mata Atlântica: Núcleo Picinguaba estimula interação entre alunos e comunidades tradicionais

 

O objetivo desta interação entre as comunidades tradicionais durante o Festival Mata Atlântica foi demonstrar a multiplicidade sociocultural brasileira e a sua relação com a natureza

O Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Picinguaba recebeu, durante o III Festival da Mata Atlântica, a visita de alunos de escolas municipais, estaduais e particulares, totalizando 96 crianças. Trilha fluvial, trilha sensitiva e contação de histórias foram algumas das atividades vividas pelos estudantes no PESM – Núcleo Picinguaba. Mas o que mais chamou a atenção foi o intercâmbio cultural promovido pelo PESM, por meio de visitas e conversas com representantes das comunidades quilombola, indígena e caiçara. Terminado o festival, as atividades continuam disponíveis, mediante agendamento prévio, por meio de telefone ou e-mail.

Segundo a monitora ambiental do PESM – Núcleo Picinguaba, Jane Fernandes, o objetivo desta interação entre as comunidades tradicionais durante o Festival Mata Atlântica foi demonstrar a multiplicidade sociocultural brasileira e a sua relação com a natureza. “A nação brasileira é composta por cerca de 522 etnias. Cada um deles possui formas próprias de organização social, ocupam e usam territórios tradicionais, além de recursos naturais, como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica. Mostrar essas diferenças para as novas gerações é uma forma de estimular a aceitação, o respeito e a convivência pacífica entre as pessoas.”

A roda de conversa contou com a participação dos patriarcas quilombola e caiçara, Sr. Zé Pedro, do Quilombo da Fazenda e do Sr. Pú, da Vila de Pescadores, respectivamente e do cacique Ailton, da Aldeia Boa Vista, que estiveram no PESM -Núcleo Picinguaba especialmente para conversar com os jovens. O enfoque da conversa foi a valorização das diferentes culturas e modos de vida de cada um. Para marcar este encontro cultural, foi realizado um jogo de futebol entre os alunos da Gaia versus meninos indígenas da Aldeia Boa Vista. As crianças também se uniram na execução de um ritual marcado pela “Dança dos Guerreiros.”

Outras atividades

As escolas municipais Mario Covas e Madre Glória tiveram a oportunidade de conhecer o ecossistema de Manguezal, participando de uma trilha fluvial pelo Rio Fazenda. Os alunos também passaram pela experiência da Trilha Sensitiva, em que os monitores ambientais conduzem os visitantes de olhos vendados, por um percurso em que outros sentidos, como o tato, a audição e o olfato são estimulados. Para finalizar o passeio, os estudantes fizeram a Trilha da Rendeira com contação de histórias sobre o ecossistema e a história local.

Ficou interessado?

O PESM – Núcleo Picinguaba possui diversas opções de passeios, para quem gosta de se aventurar na Mata Atlântica ou para aqueles que querem conhecer um pouco mais sobre a cultura local. São nove trilhas em diferentes níveis de dificuldades, mais os roteiros histórico-culturais, que podem incluir apresentações de música e dança, além de rodas de conversa e gatronomia. Também está disponível roteiro de observação de aves e o incrível passeio de barco pelo Manguezal do Rio Fazenda. Os agendamentos podem ser feitos pelo telefone (12) 3832-9011 ou pelo email agendamento.picinguaba@gmail.com

Fonte: http://www.diariotaubate.com.br/display.php?id=27380

Circuito Quilombola do Vale do Ribeira

O Circuito Quilombola do Vale do Ribeira é um roteiro turístico que envolve os territórios quilombolas André Lopes, Ivaporunduva, Mandira, Pedro Cubas, Pedro Cubas de Cima, São Pedro e Sapatu. Realizado pelo Instituto Socioambiaental (ISA), em parceria com as comunidades quilombolas, o projeto formado por 65 atrativos culturais, naturais e gastronômicos, também conta com o calendário de festas quilombolas para promover a geração de renda nas comunidades.

No entanto, a expectativa dos quilombolas vai além do retorno econômico do projeto. “O turismo é para ser só mais uma fatia no bolo que é o orçamento familiar”, afirmou Ditão, liderança quilombola de Ivaporunduva. “As coisas em relação ao turismo foram acontecendo conforme a necessidade, devagarzinho”, acrescentou. Para Edvina Tiê, a Diva, de Pedro Cubas de Cima, o turismo deve servir também para manter os jovens na comunidade e envolvê-los nas questões comunitárias. Segundo Maurício de Carvalho, técnico responsável pelo projeto, “ao mesmo tempo que possibilita ao visitante conhecer a história de luta dos quilombos pela manutenção de sua cultura e de seus territórios, o Circuito Quilombola permite às pessoas participar do cotidiano das comunidades, observando seus conhecimentos tradicionais, visitando as belezas naturais e contribuindo para preservar as riquezas da sociobiodiversidade da região”.

Os interessados em visitar o Circuito Quilombola devem agendar visita com no mínimo 10 dias de antecedência.

Você pode obter mais informações, visitando o site http://www.circuitoquilombola.org.br/.