Cambury mais triste: nota de falecimento

Não faz muito tempo, faleceu o grande amigo caiçara Zé Roberto do Cambury, deixando a comunidade mais triste. Ontem, o Cambury perdeu uma de suas matriarcas, mulher guerreira, caiçara, esposa do falecido Sr. Miguel da Cruz e mãe da Rosa Laureana, Monca, Dica, Simão Branco, além de netos e netas. Dona Maria Laureana faleceu ontem (15/02/2016) e deixou muita saudade, muitas histórias, piadas e brincadeiras que só ela sabia contar. DESCANSE EM PAZ.

Abraço forte do amigo Violeiro a todos os familiares e amigos.

Anúncios

Mediação cultural com os parceiros de Cambury: o rio que muda…

Caros Amigos e Amigas do Quilombo Cambury!!!
A obra está disponível para DOWNLOAD na Biblioteca Digital da USP:

Estação memória Cambury: mediação cultural com os parceiros do rio que muda

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde-19112013-161748/pt-br.php

RESUMO: estudo exploratório sobre o processo de mediação e apropriação cultural de informação em um contexto social, marcado historicamente pela expropriação cultural – Cambury – uma comunidade rural formada por pescadores e quilombolas que vivem na Mata Atlântica. A análise de campo e as reflexões teóricas se debruçaram sobre o papel do mediador e dos dispositivos informacionais, tendo como referência metodológica a pedagogia dialógica das Oficinas de Memória, espaço privilegiado para experimentação de saberes, trocas culturais e simbólicas. Como resultado, formulamos categorias significativas de análise do mediador cultural, cujo amálgama de saberes (informacionais; procedimentais e atitudinais) julgamos indispensável aos processos de significação em territórios simbólicos diferenciados. Como produto de conhecimento no campo da pesquisa social aplicada, criamos o dispositivo infoeducativo – Estação Memória Cambury – conjugado à interface de comunicação digital; e desenvolvemos referenciais teóricos e metodológicos que podem contribuir em futuras práticas infoeducativas que favoreçam a produção, circulação e apropriação social de saberes com os sujeitos do saber, confrontando-os com a questão do sentido da vida, do mundo e de si mesmos.

Protagonistas de Cambury, 2011-2013.

Protagonistas de Cambury, 2011-2013.

SANTOS, Edison Luís dos. Estação memória Cambury: mediação cultural com os parceiros do rio que muda.

São Paulo: ECA, USP, 2013. 101p.

Forte abraço do Edison, o violeiro!

Cambury: sem terra e sem peixe, na unha do Estado!

Publicamos excelente documentário produzido pelo Via legal no Cambury. Em pouco mais de 5 (cinco) minutos, descreve o impasse ambiental e a disputa pela posse da área que há muitos anos são o pesadelo dos moradores caiçaras e quilombolas do bairro do Cambury, localizado no Km. 1 da BR 101, divisa de Ubatuba com Paraty, litoral norte de São Paulo. Mostra o cotidiano da roça e do artesanato produzido na comunidade para gerar renda, já que NÃO TEM PEIXE, NEM TERRA PARA PLANTAR.

Os quilombolas vivem há mais de 200 anos no local, desde o tempo da “Toca da Josefa”, escrava que fugiu da escravidão e se escondeu no coração do sertão do Cambury. A briga para conseguir o título da terra começou há mais de uma década e envolve muitos outros aspectos, tais como grilagem, ocupação por moradores de fora, expropriação política, trabalho precarizado, subemprego, falta de saneamento…

OMISSÃO DO ESTADO EMPERRA A VIDA NO CAMBURY

A matéria do Via Legal ouviu a comunidade para esclarecer à sociedade as violações de direitos que emperra a vida desses moradores: saúde, educação, terra, trabalho e alimentação digna.

Futebol intercultural na praia do Cambury – Memória

Com prazer, registramos a memória de uma partida de futebol memorável: o torneio regional de futebol intercultural foi organizado por Sr. Badeco, caiçara sanfoneiro, sociabilidade e cotidiano na Praia do Cambury, Abril de 2012.

Título: Futebol intercultural na praia do Cambury | Ficha técnica: BRASIL, 2012, colorido., 12m59s.
Resumo: este vídeo contém o registro audiovisual de uma Partida de futebol especial, realizada em 22 de abril de 2012 no campinho oficial de Cambury, à beira da praia. O torneio entre equipes reuniu vários times do litoral norte, formados por caiçaras, quilombolas e indígenas. Além de momento importante na sociabilidade e trocas de informações entre os diversos grupos sociais, o evento foi organizado por Sr. Badeco, homem simples do Cambury, tocador de sanfona, que também treina o time feminino local.
Ao final das partidas, os participantes se reuniram no Bar do Isaías e Donato, de frente para o campo, para molhar o bico e conversar com os amigos.
Tags: Futebol, Educação, Cultura, Arte, Quilombo, Indios, Brasil, Cambury
Link para a VIDEOTECA DO CAMBURY NO Vimeo: https://vimeo.com/72148259

Incra e Palmares tem 90 dias para resolver o caso Cambury

A Justiça tenta resolver um conflito antigo entre posseiros e mais de 40 famílias quilombolas, em Cambury, Ubatuba.

A Constituinte cidadã de 1988 garante o direito à terra aos moradores que vivem em uma área remanescente de quilombos, há mais de 200 anos.

Mesmo se tratando de uma área transformada em Parque de uso público, o mais difícil de entender é: como podem os grileiros que se dizem “donos do local” tentar a reintegração de posse, de algo que não lhes pertence?

Após impasses e mal-entendidos entre as instâncias federal e estadual, o Incra se esforça para manter os moradores no local.

Este slideshow necessita de JavaScript.

VEJA O VÍDEO SOBRE A MATÉRIA:

http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/link-vanguarda/videos/t/edicoes/v/justica-tenta-resolver-conflito-entre-posseiros-e-familias-em-ubatuba-sp/2710103/

Segundo informe de Pedro Canário, em Consultor Jurídico, publicado em Racismo Ambiental:

A Justiça Federal de São Paulo concedeu liminar para transferir ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a posse de um terreno em Ubatuba ocupado por uma comunidade remanescente de quilombolas. A decisão, da 1ª Vara Federal de Caraguatatuba, dá ao Incra e à Fundação Cultural Palmares (FCP) a posse provisória do terreno, pelo prazo de 90 dias, quando a questão deve ser reapreciada. A decisão é da sexta-feira (19/7).

O caso foi levado à Justiça Federal pelo Incra e pela FCP, representados pela Advocacia-Geral da União, por meio de Ação Civil Pública. A intenção das autarquias federais é tornar sem efeito sentença em uma ação de reintegração de posse que deu a um particular a titularidade sobre o terreno de cerca de mil hectares no litoral norte de São Paulo.

A decisão de reintegração de posse é da Justiça estadual, da 1ª Vara Cível de Ubatuba. A decisão foi dada em 1982, em face de um particular tido como líder da comunidade quilombola que hoje está no terreno. Como a disputa, nos anos 1980, se deu entre dois particulares, a União não foi citada e nem apareceu em qualquer dos polos.

O Incra entrou na questão em 2008, depois que o particular João Bento de Carvalho decidiu fazer a cumprir a sentença, que havia transitado em julgado em 1984. A intenção da autarquia é proteger os interesses da comunidade de 40 famílias que está naquela área há quase cem anos e lá já instalou escolas, clubes, áreas de convivência etc.

A intenção ao ajuizar a Ação Civil Pública, portanto, é tornar sem efeito a declaração de posse da terra ao particular: se a terra é ocupada por uma comunidade remanescente de quilombo, a posse deve ficar com ela. Na prática, o que o Incra pediu foi que a posse seja passada ao particular e logo depois transferida ao Incra, que a repassará à comunidade.

A liminar da sexta-feira afirma que “a fumaça do bom Direito” está ao lado do Incra: “Trata-se de comunidade remanescente de quilombo que ocupa a área há décadas e tem posse superveniente coletiva de índole constitucional, devidamente reconhecida”. A decisão argumenta que a Constituição Federal de 1988 deu às comunidades remanescentes de quilombo a posse de todas as terras que ocupavam quando da promulgação do texto constitucional.

Fonte: http://www.scoop.it/t/comunidades-remanescentes-de-quilombos

Oficina de Fotografia Pinhole no Cambury: resultados

A Estação Memória Cambury tem o prazer de compartilhar o BELÍSSIMO TRABALHO COLABORATIVO E EDUCATIVO desenvolvido pela Equipe do Mundo em Foco, ao longo de uma semana no Quilombo do Cambury, com a participação de jovens, crianças – caiçaras e quilombolas.

O trabalho foi fruto da Campanha: http://benfeitoria.com/clicknalata.-

Conforme publicamos no post anterior da https://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/, o Projeto Click na Lata concretizou a Oficina de Fotografia Pinhole, com base no seguinte princípio:

“a oficina é um encontro lúdico, onde os alunos confeccionam primeiro uma Caixa Ótica (caixa de luz), e em seguida reciclam uma lata, transformando-a numa câmera fotográfica de orifício (câmera escura). Num laboratório improvisado, os próprios alunos “carregam”; após um passeio de experiências fotográficas pela comunidade, as crianças e jovens revelam, lavam e estendem num varal coletivo, suas fotos. A oficina é realizada com ‘pinceladas’ nas aulas que se aliam e alinham a qualquer componente curricular como Língua Portuguesa, História, Geografia, Matemática, Química, Física, entre outros. Ao final, é realizada uma exposição aberta aos pais, amigos e comunidade”.

Aproveitamos para felicitar a todos vocês, amigos do Cambury e a todos os parceiros envolvidos nesta AÇÃO CULTURAL – Oficina de Fotografia no Quilombo do Cambury. Um trabalho cultural criativo, participativo e educativo, que visa à apropriação de novos saberes informacionais e tecnológicos em grupos sociais vulneráveis social e economicamente, apesar de vivermos na “era da informação”.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Parcerias envolvidas

Benfeitoria, Dorly Neto, Ozana Sousa E Sousa, Mauricio Alexandre, Vinicius Souza, Rodrigo Sousa E Sousa, Stephanie Modesto, Ecotrip Hostel Ubatuba Brazil, Liana Cunha, Memórias De Cambury (facebook), Estação Memória Cambury (site), Leandro Franco Minervino, Carol Garcez e demais colaboradores do Quilombo Cambury.

Fonte: Mundo em Foco.

Ação Cultural: começou a Oficina de Fotografia Pinhole

Ontem, dia 8 de Julho, teve início a Oficina de Fotografia Pinhole, no Quilombo do Cambury, e vai durar até o final de semana.

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.412848572164760.1073741875.279706808812271&type=1

 

O que é o Projeto?

Desde 2004, o projeto Click na Lata e Cia atende crianças e jovens da periferia de São Paulo, ensinando-lhes a arte da Fotografia. No começo acontecia na Vila Maria Alta, Centro Social Leão XIII, sob o nome de Projeto Olho Mágico. Depois, consolidou-se em 2007, na SAMOSI – Sociedade Amigos dos Moradores de Vila Santa Inês, sendo contemplado/subsidiado com os prêmios Criando Asas – Instituto Asas/Red Bull e Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias (2007/2008), Programa VAI – Valorização às Iniciativas Culturais – Prefeitura de São Paulo (2008/2009), Prêmio Cultura Viva – Ponto de Cultura (2009-2012) e Prêmio Laureate – Universidade Anhembi-Morumbi/Laureate Foundation (2012).

 

Passados 9 anos de projeto, o Click na Lata e Cia… atendeu mais de 1000 pessoas, principalmente crianças e jovens, além de adultos, também curiosos. Realizou mais de 15 exposições e pelo menos 10 workshops, realizados em lugares variados como a Fundação Casa, Casas de Cultura, ONGs e Diversos eventos coletivos e colaborativos. A ideia do projeto, além de propiciar o primeiro contato com a arte da fotografia pinhole (câmera escura), é ampliar a visão de mundo das pessoas, fazendo-as perceber o seu mundo e seu entorno de maneira diferente. Incentivamos no aluno a descoberta e questionamos o seu olhar, por meio das oficinas.

 

A oficina é um encontro lúdico, onde os alunos confeccionam primeiro uma Caixa Ótica (caixa de luz), e em seguida reciclam uma lata, transformando-a numa câmera fotográfica de orifício (câmera escura). Num laboratório improvisado, os próprios alunos “carregam” e depois de um passeio fotográfico pela comunidade, revelam , lavam e estendem num varal coletivo, suas fotos. A oficina é realizada com “pinceladas” nas aulas que se aliam e alinham a qualquer componente curricular como Língua Portuguesa, História, Geografia, Matemática, Química, Física, entre outros. Ao final, é realizada uma exposição aberta aos pais, amigos e comunidade.

 

Click na Lata e Cia… é portanto o “carro-chefe” do Coletivo Mundo em Foco, formado em 2004, por jovens engajados com questões sociais que envolvem a comunidade. O grupo trabalha diretamente com diversas tecnologias e temas como: tv, vídeo, cinema, internet, fotografia, artes plásticas, meio ambiente, teatro, literatura, entre outros.

 

De onde surgiu a ideia de uma Oficina no Quilombo?

 

De um amigo, fotógrafo e apoiador do projeto, o fotógrafo Márcio Ramos, antigo morador de Ubatuba, que visitou a comunidade por muitas vezes ainda sem energia elétrica. Ele sempre teve o desejo de realizar uma oficina de fotografia, mas os novos trabalhos e desafios o impediram de retornar. O Márcio, quando nos conheceu em 2009, logo sugeriu de realizar uma oficina lá. A vontade sempre foi grande e acreditamos que dessa vez, conseguiremos. Impulsionados pelo Hub Fellowship – Jovens Empreendedores Sociais, nós do Mundo em Foco, resolvemos topar o desafio de levantar uma grana e realizar um sonho que vem atravessando os anos.

 

A oficina visa registrar a comunidade do Quilombo do Cambury, ajudando na documentação histórica do local, retratando seus costumes, suas crenças, memórias, saberes, artes, geografia e seu povo. Buscamos um intercâmbio cultural, onde a troca de saberes se fará presente e necessária. É nesse intuito de escuta, olhar o próximo, sentir suas necessidades e expor seus sentimentos por meio da arte que queremos estar presentes na localidade.

A oficina começou ontem, dia 8 e vai durar a semana toda!!!

LINKS PARA ENTENDER MELHOR:

 

Começou a Oficina de Fotografia Pinhole na sede da Associação quilombola do Cambury. No detalhe, Catarina e os jovens da comunidade. Julho 2013.